Linha do tempo
1993 — Síndrome Cardiopulmonar nos EUA
A primeira descrição da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus ocorre no sudoeste dos EUA, com o Sin Nombre virus. Embora distinto do ANDV, o caso definiu a apresentação clínica que será depois associada à linhagem sul-americana.
1995 — Primeiros casos no Cone Sul
Casos com quadro compatível com SCPH são notificados na Patagônia argentina e chilena. O agente é caracterizado em 1996 e batizado Andes virus (ANDV) em referência à cordilheira.
1996 — Surto de El Bolsón (Argentina)
Surto na cidade de El Bolsón, Rio Negro, com 20 casos e letalidade superior a 50%. Pela primeira vez na literatura, o quadro epidemiológico sugere transmissão pessoa-a-pessoa entre contatos domiciliares e profissionais de saúde — confirmação molecular publicada por Padula et al. em 1998 (Virology).
1993 em diante — Brasil
A hantavirose é incluída como doença de notificação compulsória no Brasil em 2001, mas casos retrospectivos são identificados a partir de 1993 nas regiões Sul e Sudeste. Os agentes circulantes incluem Juquitiba virus (SP, PR, SC, RS), Araraquara virus (SP, MG, GO, DF) e Castelo dos Sonhos virus (MT, PA). Casos atribuíveis especificamente ao ANDV no Brasil concentram-se historicamente na faixa de fronteira do Rio Grande do Sul.
2014 — Confirmação molecular de transmissão pessoa-a-pessoa
Martinez-Valdebenito et al. publicam estudo de cluster nosocomial em Cochrane, Chile (2014, EID Journal/CDC), confirmando transmissão pessoa-a-pessoa por análise filogenética dos isolados de pacientes-caso e contatos. O ANDV permanece, até hoje, o único hantavírus do mundo com transmissão humana confirmada por evidência molecular.
2018 — Surto de Epuyén (Argentina)
Surto em Epuyén, Chubut, com 34 casos confirmados e cluster com transmissão pessoa-a-pessoa documentada entre contatos domiciliares e em ambiente hospitalar. O Ministério da Saúde da Argentina decreta protocolos rigorosos de isolamento para casos suspeitos no sul do país.
2020–2024 — Vigilância intensificada
Após o surto de Epuyén, o Cone Sul intensifica a vigilância sentinela, especialmente em postos fronteiriços. A cooperação técnica entre Argentina, Chile, Brasil, Paraguai e Bolívia, articulada pela OPAS, padroniza protocolos diagnósticos e de notificação.
2026 — Cobertura em curso
Os casos atuais — em verificação no Cone Sul brasileiro — estão sendo cobertos no /noticias/ e quantificados em /casos/.
Por que ANDV merece atenção continuada
- É o único hantavírus humano com transmissão pessoa-a-pessoa confirmada.
- A letalidade segue alta (30–50% em surtos documentados).
- Não há vacina aprovada nem antiviral específico de eficácia comprovada — ver /vacinas/ e /pesquisa/.
- A distribuição geográfica do reservatório (Oligoryzomys longicaudatus e espécies próximas) cobre extensas áreas do Cone Sul, incluindo regiões com forte presença humana sazonal (turismo na Patagônia, agricultura familiar).
Fontes: Padula et al. — Hantavirus pulmonary syndrome outbreak in Argentina (Virology, 1998); Martinez-Valdebenito et al. — Person-to-person household and nosocomial transmission of Andes hantavirus (CDC EID Journal, 2014); Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde (2024); OPAS — Hantavírus nas Américas (2023).