PREVENÇÃO · JANEIRO 2026

Prevenção do hantavírus Andes

Medidas de prevenção contra o hantavírus Andes: controle de roedores, ventilação de ambientes fechados, manejo seguro de excretas, EPI para áreas de risco e cuidados em viagem.

Princípio geral

A prevenção da hantavirose se concentra em reduzir o contato com roedores silvestres e suas excretas, especialmente em ambientes fechados há tempo e em áreas rurais ou silvestres do Cone Sul.

Em residências e ambientes fechados

Antes de entrar em local fechado há mais de uma semana

  • Abrir portas e janelas e deixar ventilando por pelo menos 30 minutos antes de entrar.
  • Não varrer a seco. Aerossolizar partículas é o risco principal.
  • Usar máscara N95 ou PFF2 ao entrar pela primeira vez.

Limpeza de áreas com sinais de roedores (fezes, urina, ninhos)

  1. Aspergir as superfícies com solução de hipoclorito de sódio a 1% (uma parte de água sanitária comum para 9 de água) e deixar agir por 30 minutos antes de qualquer manipulação.
  2. Recolher excretas com pano úmido, jamais varrendo seco.
  3. Descartar o material em saco plástico duplo, lacrado.
  4. Usar luvas de borracha, máscara N95 e óculos de proteção durante todo o procedimento.
  5. Lavar as mãos com água e sabão imediatamente após.

Vedação e armazenamento

  • Tapar buracos e frestas em portas, paredes, encanamentos e telhados.
  • Manter alimentos em recipientes vedados e elevados do chão.
  • Armazenar lenha, palha, ração e madeira a pelo menos 30 metros da residência e a 30 cm do solo.
  • Manter o entorno da casa capinado em raio de 50 metros.

Em ambientes rurais, silvestres e periurbanos

  • Capinar e limpar ao redor de paióis, depósitos e abrigos.
  • Eliminar entulho, lixo acumulado e materiais de construção que sirvam de abrigo a roedores.
  • Manter o lixo orgânico em recipientes com tampa, distantes da casa.
  • Em áreas de mata, evitar pernoitar em construções abandonadas.
  • Em camping, preferir barracas de chão sobre lonas, em locais limpos e abertos.

Controle integrado de roedores

O Ministério da Saúde recomenda manejo integrado — combinação de medidas ambientais (eliminação de abrigos e alimento), físicas (vedação) e, em último caso, químicas (raticidas). Raticidas devem ser usados por equipe técnica, com sinalização adequada, mantendo-se longe do alcance de crianças e animais domésticos.

Para profissionais de saúde

Pacientes com suspeita de SCPH devem ser atendidos com isolamento respiratório por gotículas e aerossóis:

  • Máscara N95 ou PFF2 durante todo o atendimento
  • Óculos de proteção
  • Avental impermeável
  • Luvas
  • Quarto com pressão negativa, quando disponível

A precaução vale para a fase prodrômica e cardiopulmonar, dada a possibilidade — embora rara — de transmissão pessoa-a-pessoa do vírus Andes (OPAS, 2023).

Para pesquisadores de campo

Captura de roedores silvestres exige protocolo específico de biossegurança, com EPI completo, vacinação prévia da equipe contra outras zoonoses, e descarte adequado de carcaças. Ver as recomendações do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) para Trapping protocols for hantavirus surveillance.

O que não funciona

  • Não há evidência de que repelentes de roedores comerciais (ultrassônicos, naftalina, mentol) reduzam a infestação.
  • A hantavirose não tem profilaxia pós-exposição medicamentosa eficaz.
  • Não há vacina disponível para uso humano. Ver vacinas.

Fontes: Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde (2024); OPAS — Hantavírus nas Américas (2023); CDC — Hantavirus Prevention (2024).