QUADRO CLÍNICO · JANEIRO 2026

Sintomas do hantavírus Andes

Sintomas iniciais e avançados da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) causada pelo vírus Andes. Fases prodrômica e cardiopulmonar, sinais de alerta, quando procurar atendimento.

Visão geral

A infecção pelo hantavírus Andes pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), doença viral grave com letalidade entre 30% e 40% nos casos confirmados (Ministério da Saúde, 2024). A apresentação clínica costuma evoluir em duas fases distintas, com piora rápida na transição entre elas.

Período de incubação

Em média 14 a 21 dias após a exposição a roedores silvestres ou suas excretas, com variação documentada de 1 a 51 dias (OPAS, 2023).

Fase prodrômica (3 a 6 dias)

Sintomas inespecíficos, parecidos com uma síndrome gripal. Difícil de distinguir clinicamente de outras infecções virais nesta etapa.

  • Febre alta de início abrupto (acima de 38 °C)
  • Mialgia intensa, sobretudo em membros inferiores e dorso
  • Cefaleia
  • Astenia (fraqueza marcante)
  • Calafrios
  • Sintomas gastrointestinais — náusea, vômitos, dor abdominal, diarreia
  • Tosse seca em parte dos casos

Procurar atendimento médico se houver história de exposição a ambientes rurais, silvestres ou rurais-periurbanos do Cone Sul nas três semanas anteriores ao início dos sintomas.

Fase cardiopulmonar (24 a 72 horas após o prodrômico)

Quadro de deterioração rápida com risco de morte. Esta fase exige hospitalização imediata, preferencialmente em unidade com suporte intensivo.

  • Dispneia progressiva
  • Tosse com expectoração
  • Hipotensão
  • Edema pulmonar não cardiogênico (Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, SDRA)
  • Choque cardiogênico em parte dos casos
  • Hipoxemia refratária

A evolução para óbito, quando ocorre, costuma se dar entre o quarto e o décimo dia após o início dos sintomas (Fiocruz, 2023).

Sinais de alerta — quando buscar atendimento de urgência

  • Falta de ar ou respiração curta após dois ou três dias de quadro gripal
  • Tontura ou desmaio
  • Dor no peito
  • Lábios ou extremidades arroxeados
  • Tosse persistente acompanhada de cansaço extremo

Diagnóstico

Confirmação por sorologia (IgM e IgG anti-hantavírus) ou RT-PCR em amostras de soro ou tecido. Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal — a hantavirose é doença de notificação compulsória no Brasil (Portaria GM/MS nº 217, 2024).


Esta página é informativa. Não substitui avaliação médica. Em caso de sintomas com história de exposição, procure imediatamente um serviço de saúde.

Fontes: Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde (2024); Fiocruz — Hantavirose no Brasil (2023); OPAS — Hantavírus nas Américas (2023).