Status atual
Não há vacina aprovada para uso humano contra o hantavírus Andes em maio de 2026, no Brasil ou em qualquer outro país do Cone Sul. A imunização contra a hantavirose não faz parte do calendário do SUS nem é oferecida na rede privada.
Esta posição é compartilhada pelo Ministério da Saúde, pela ANVISA, pela OPAS e pela WHO em suas notas mais recentes.
Por que não há vacina
Três fatores históricos:
- Mercado pequeno e geograficamente concentrado. Diferente das hantaviroses do Velho Mundo (Hantaan, Seoul) que afetam a Ásia, a SCPH causada pelo ANDV tem incidência relativamente baixa, restrita ao Cone Sul. Isso reduziu o incentivo comercial para o desenvolvimento avançado.
- Modelo animal limitado. Por anos, faltou um modelo animal robusto que reproduzisse o quadro humano da SCPH. O hamster sírio passou a ser usado a partir do início dos anos 2000 e abriu caminho para os primeiros candidatos.
- Resposta imune complexa. Os hantavírus produzem proteínas que modulam a resposta imune do hospedeiro de formas ainda parcialmente compreendidas, dificultando o desenho de imunógenos clássicos.
Candidatas em desenvolvimento
Vacinas DNA — em fase clínica
A candidata mais avançada é uma vacina de DNA codificando a glicoproteína de superfície do ANDV, desenvolvida pelo U.S. Army Medical Research Institute of Infectious Diseases (USAMRIID) em parceria com a ICON. Em estudos de Fase 1 e Fase 2a publicados nos últimos anos, demonstrou:
- Indução de anticorpos neutralizantes
- Perfil de segurança aceitável
- Necessidade de regimes de múltiplas doses
Não há cronograma definido para licenciamento. Em maio de 2026, a candidata segue em ensaios clínicos.
Vacinas mRNA — pré-clínicas
A plataforma de mRNA (popularizada pelas vacinas contra COVID-19) está sendo aplicada a hantavírus por grupos acadêmicos no Brasil, Argentina e EUA. Resultados em modelos animais foram publicados em 2024–2025. Ainda não há candidato em ensaio clínico humano.
Vacinas de subunidade e VLP — pesquisa
Várias estratégias com proteínas recombinantes ou partículas semelhantes a vírus (virus-like particles, VLP) estão em fase pré-clínica em laboratórios da Fiocruz, Instituto Butantan e parceiros internacionais.
Profilaxia pós-exposição
Não existe profilaxia pós-exposição medicamentosa eficaz contra a hantavirose. Anticorpos monoclonais com atividade contra o ANDV foram demonstrados em modelos animais (notadamente o JL16, descrito em 2020), mas ainda não há produto aprovado para uso humano.
A única “profilaxia” hoje é prevenção primária — controle de roedores, ventilação de ambientes fechados e uso de EPI. Ver /prevencao/.
Acompanhamento
Quando uma vacina avançar para licenciamento ou houver decisão de incorporação ao SUS, esta página será atualizada. Acompanhamentos de novidades sobre pesquisa e desenvolvimento ficam em /pesquisa/ e /noticias/.
Fontes: WHO — Prioritized pathogens for vaccine R&D (2023); USAMRIID — publicações sobre vacina DNA ANDV; OPAS — Hantavírus nas Américas (2023); ANVISA — Pesquisas clínicas registradas (consulta 2026-05-08).